quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Primavera




Que a primavera venha depressa
Com sua aquarela de flores pinte
O escuro do que ainda há de vir
O cinza da saudade do passado
Misture o branco dos amores
Às cores de sonho e realidade
Para que os dias sejam suaves
Que a leveza una os corações
A estação torne os dias belos
Assim como aquele ipê amarelo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cálice

Tentar se concentrar é desconsertar-se

Aquela melancólica canção não para de tocar

Chuva ainda insiste em cair dos olhos

Trovões assustam, enquanto a lua perde o brilho

Até os olhos vermelhos do semáforo parecem chorar

O tambor continua a forte bater, involuntário no peito

Não sabe o que dizer, sinta-se

Se palavras são erros, cale-se

Só pra ter certeza, permita-se

Do vinho do silêncio, embriague-se

Do que ainda não se viveu

sábado, 25 de agosto de 2012

Voo


A menina passarinho parecia sempre estar feliz,
De lábios vermelhos e sorriso estampado na face.
Quase não percebia ( ou não queria) o mal ao redor,
Só queria estar ao lado de seu João de Barro
Que a fazia voar quando tudo parecia pesado
E encontrar a terra firme quando de solo precisasse.

Olhava nos olhos dele e sabia que ali era o seu lugar,
Lá via a poesia e o encaixe perfeito de seus radiantes olhos.
Quando juntos estavam, de mãos entrelaçadas,
Sentiam o pulsar dos corações sem ao menos tocá-los.
Era como se estivessem nas nuvens, vendo de perto o ocaso
Mas, às vezes, o tempo parece correr contra nós.
No instante em que tudo nos dá, pode tudo tirar.


Distraída nas suas emoções, ela não percebeu,
Mas o tempo passou e quis carregar sua meninice.
Ela bem tentou resistir, mas a astucia dele é tamanha,
Pedaços levou do quebra cabeça de seu mundo fantástico.

Obrigada a crescer, pôs os pés no chão e deu um passo por vez.
Apesar da leveza, sozinha, não era tão fácil caminhar.
Na estrada continha pedras/espinhos, além de tropeços,
Sua única companhia era o assobio do vento
Em forma de canção, dizia para não deixar de acreditar,
Quando se tem sonhos bons é possível, ainda, voar.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Paradoxo de um reflexo


Sob o céu azul, conversas filosóficas.
Jovens sábios discutem “felicidade”
Ou seriam sábios jovens, talvez.
O que não faz sentido pode ser sentido.

Vejo um palhaço colorido nos meus sonhos.
Cores vibrantes alegram meu ser, sorrio.
Olhos tristes do que é real me fazem chorar
O que não faz sentido pode ser sentido.

De um lado uma pilha de livros novos
Do oposto uma pilha de louças sujas
Esperam-me, a coragem de matar a fome.
Fome de sonhos, fome de realidade.

O lúdico enche os olhos, girassóis.
O real entristece a alma, passarinho.
Alguém agora bate (n)a porta
O equilíbrio devo encontrar.

Abrir, fechar, calar, falar...
Ainda não me veio a resposta
O que não faz sentido pode ser sentido
E, assim, segue o paradoxo da vida.

sábado, 18 de agosto de 2012

Poesia dos olhos teus



Enquanto penso numa desculpa pra ficar
A noite insiste em não esperar por mim
Como criança desobediente, mas doce,
Não consigo controlar minhas vontades.

Cantarolo repetidas vezes aquela canção
Que há dias faz morada em meu peito.
Deixo a chuva cair sem cessar
E espalhar o sal pela minha face.

Vejo a poesia transbordar (nos) dos teus olhos.
Percebo que os fecha por preferir a poesia cega
Mas, ainda que de olhos fechados, posso sentir/ver,
Bem como o vento que levemente bate no meu rosto.

Quero ver aqueles olhos brilharem novamente
Junto com as cores resplandecentes do ocaso
Que ainda vão e vêm  na minha memória
Como passarinho perdido, à procura do bando.

sábado, 14 de julho de 2012

Sem Título




Portas abrem e fecham sem parar. Pessoas veem e vão. Lágrimas brotam de alguns olhos. Alguém fala, outro cala, mas lá não consigo ficar. Alguns recorrem a Deus, outros dizem FORÇA, todos querem saber e de alguma forma ajudar. Mas muito pouco pode ser feito, só nos resta acreditar e nesse lugar não mais voltar.

Depois de calafrios e falta de ar, quero apenas ficar na janela sozinha ou um abraço apertado e silencioso. O céu mais azul acompanhado das nuvens brancas parece mais próximo de mim como quem quer fazer companhia e/ou dizer algo. Lá não vejo sinal de chuva, mas, ao mesmo tempo, ela insiste em cair das nuvens mais doces, que agora não mais têm gosto de açúcar tampouco de sal.

Hoje quero apenas continuar vendo as borboletas, mas o rumo que suas asas tomam independe da minha vontade. Enquanto as nuvens se abraçam, as borboletas voam para bem longe. Mas sei que, quando eu quiser vê-las, só preciso fechar os olhos e senti-las, assim como quem vê o sorriso de um velho camponês.

domingo, 1 de julho de 2012

Alis volat propriis



Ela possuía asas, mas ainda não sabia voar.
Olhava o céu e pensava: Ah, se eu pudesse...
Tentava e, sem nenhum sucesso, chorava.
Onde se escondia a leveza de seu coração?

Percebeu o motivo de não tirar os pés do chão,
Um sentir que não se pode ver,
Um peso a mais carregado pelas costas,
Seu coração estava preso ao medo.

Conhecia anjos, borboletas, até bolhas de sabão.
Sabia proteger com um abraço,
Sentia o vento soprar a seu favor,
E via a energia de todas as tuas cores.

Vivia das vibrações emanadas pelo sol e pela lua.
Talvez não fosse a leveza que a tiraria do chão,
Mas a força que nem ela mesma sabia ter.

Apenas silencio, palavras, sorrisos
Foram o bastante para a janela ser aberta
Para num arrepio sentir o que é tocar as nuvens.