Passarinho voa por necessidade
E não por vontade própria
Foi presenteado com asas
Mas tudo tem seu preço
Lá do imenso azul do céu
Bem de onde eu queria estar
Incontáveis vezes se pegou
Com seus pezinhos ciscando
Sonhando tocar mais o solo
Mas sua sina
Assim como a minha aqui
É lá por cima bater penas
E nisso eu fico com a angústia
De não saber do contentamento
Enquanto eu quero ser você
Alguém sonha com meu lugar
Não entendemos a língua do outro
Jamais poderemos trocar a paz
Você com medo do perigo
E eu na impossibilidade de ir lá
As duras penas não sou leve.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Uma relatividade
Mais uma vez tenho o tempo em minha língua
Quantas mais esteve comigo?
Sei que meus dedos não poderão contar
Parece que meu relógio está quebrando
As dez vezes que peguei o celular em busca das horas
Esquecidas no mesmo instante
Não cabem em dez segundos
O dia tornou-se eternidade
Nossa ciência não contenta o universo
E o que conspiraria se perdeu na areia
Se eu tivesse uma única ampulheta pra viver
Queira Deus que não seja esta
De um amanhã eu quero mais
Quantas mais esteve comigo?
Sei que meus dedos não poderão contar
Parece que meu relógio está quebrando
As dez vezes que peguei o celular em busca das horas
Esquecidas no mesmo instante
Não cabem em dez segundos
O dia tornou-se eternidade
Nossa ciência não contenta o universo
E o que conspiraria se perdeu na areia
Se eu tivesse uma única ampulheta pra viver
Queira Deus que não seja esta
De um amanhã eu quero mais
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Atena
Quisera eu poder
fugir de mim
Interceptar cada
pensamento vão
Antes que a ira de
Poseidon caísse sobre vós
Antes que os dedos
tísicos fervilhassem
Ao desejo de ir de
encontro à sua face
Quisera eu ser um
pouco mais ternura
Possuir o poder de evitar
o inevitável
De vista turva, curar
o incurável
Coser os buracos da
armadura
Do pecado não querer
julgar
Nunca tive essa
pretensão tamanha
De uma balança
carregar em meu peito
Faço questão de
devolver, deleite
Esse pedaço quase
inteiro meu
Junto das rodas, das
asas, dos passos..
Tudo que me traga
essa lembrança estranha
De ser livre/leve sem
realmente (o) ser.
Dois pesos, duas
medidas
Do fundo ao raso
De tanto equilíbrio
Lugar algum.Malassombro
Dormia quando ouvi um sussurro
Laralará alguém doutro lado cantou
Apertando as contas com toda força
Colocaram ali à prova toda minha fé
Fechando os olhos novamente
Indo contra toda a gente
Que diz não acreditar
Laralará alguém doutro lado cantou
Apertando as contas com toda força
Colocaram ali à prova toda minha fé
Fechando os olhos novamente
Indo contra toda a gente
Que diz não acreditar
Duas
pancadas na porta
Eu que não sou doida de espiar
A curiosidade matou o gato
A loba, a onça, a jaguatirica
E lá estava eu de ponta de pé
Agarrada ao travesseiro
Me pelando de medo
Quem será que está ali?
Eu que não sou doida de espiar
A curiosidade matou o gato
A loba, a onça, a jaguatirica
E lá estava eu de ponta de pé
Agarrada ao travesseiro
Me pelando de medo
Quem será que está ali?
Do outro lado da porta havia ninguém
Todos dormiam, era cinco da manhã
Eu tinha alguns minutos de descanso
Vá perturbar outro, disse eu raivosa
Seja lá Deus quem for
Todos dormiam, era cinco da manhã
Eu tinha alguns minutos de descanso
Vá perturbar outro, disse eu raivosa
Seja lá Deus quem for
Logo mais cedo perguntei a todos
Ninguém sequer saiu de seu quarto
Com minha coragem me pus a rezar
Ninguém sequer saiu de seu quarto
Com minha coragem me pus a rezar
No ônibus rumo à labuta diária
Fui pensando na graça que é
O medo nos faz ter fé
Fui pensando na graça que é
O medo nos faz ter fé
Foi quando ouvi de longe meu nome
Quase cantado por voz desconhecida
Ao perceber a rima, grande engano
Era o vento em seu improviso constante
O medo logo me fez sorrir.
Quase cantado por voz desconhecida
Ao perceber a rima, grande engano
Era o vento em seu improviso constante
O medo logo me fez sorrir.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Seção
Há uma parte de mim enriquecida pelos gestos singelos de teu amor
Um desejo fugaz embriagado pelas tropas desconhecidas do amanhã
Tão somente craqueado que o sopro no deserto faz chover
Quem dera eu fosse um pedaço de linho qualquer
Não faria sentido tantas madrugadas em claro
Solicitude
Saudade
Servidão
Não ouso pertencer a lugar algum
Tampouco me debruçar em pedidos acalentadores ao acaso
Mas sinto-me prisioneira dos ponteiros estilhaçados contra a
parede
Números metamorfoseados em pó
Poeira que não finda
Traz a tona uma tempestade que não destrói
Mas fortalece os laços do que uma dia foi parte
Hoje, um todo.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Quando não está claro
Acho que tenho medo do escuro,
Uma suposição, talvez...
A dúvida me faz crer na constatação
Mas afirmar o que pouco provei
Não me parece satisfatório.
Não durmo de luzes acesas,
Tampouco uso tapa olhos
Mas conheço cada canto de minha casa,
Posso sair às carreiras de olhos fechados,
E garanto nunca cair.
Muito mais provável
Tropeços à luz do dia.
Eu tenho medo do abismo desconhecido,
Se lá eu já tivesse ido,
Tenho certeza,
Saberia onde encontrar um atalho.
Não o caminho mais curto
Mas o menos doloroso;
Saberia sentir o vento no rosto
Sem receio do que possa vir.
Não quero que me digam o que há depois do fim,
Muito menos que me entreguem alguns rabiscos cartográficos.
Eu quero seguir com minhas próprias asas,
E se encontrasse o bicho papão,
Não me custaria cativá-lo,
Quem sabe não me abrigaria no chão...
Um amigo poderia ser uma luz no fim do túnel
Ou o começo do fim.
Realmente, eu me sinto inseguro
Porém, se alguém me espera
Eu chego lá.sábado, 21 de fevereiro de 2015
Apenas mais um fevereiro
Hoje, levanto da cama com o sol nas alturas e não ouço seus passos pelo corredor;
Na cozinha, aquela xícara de café já não é a mesma;
Minha sala, de tanto estar, tornou-se solitária;
Ah, aquela cadeira!
Vejo o tempo passar, as tantas mudanças se aproximam e lá está nossa velha cadeira, onde teus sonhos dourados sempre me embalou.
Hoje, de especial só me restaram os retratos de um riso que quase não me lembro, não ouço mais;
Era o dia da esperança pela longevidade
Cujo presente me pertencia, pelo simples fato de ser e estar aqui.
Presente que não embrulhei, tampouco passei para tuas mãos, mas o laço sempre se fez beleza em nós.
Hoje, era um momento de festa, de bolo, velas e gratidão;
Mas, de real, eu tenho um peito cheio de cor e uma casa vazia.
O café está frio, até o açúcar acabou e em cada cômodo da casa uma lembrança.
Aqui jaz um pedaço de mim inteira.
Na cozinha, aquela xícara de café já não é a mesma;
Minha sala, de tanto estar, tornou-se solitária;
Ah, aquela cadeira!
Vejo o tempo passar, as tantas mudanças se aproximam e lá está nossa velha cadeira, onde teus sonhos dourados sempre me embalou.
Hoje, de especial só me restaram os retratos de um riso que quase não me lembro, não ouço mais;
Era o dia da esperança pela longevidade
Cujo presente me pertencia, pelo simples fato de ser e estar aqui.
Presente que não embrulhei, tampouco passei para tuas mãos, mas o laço sempre se fez beleza em nós.
Hoje, era um momento de festa, de bolo, velas e gratidão;
Mas, de real, eu tenho um peito cheio de cor e uma casa vazia.
O café está frio, até o açúcar acabou e em cada cômodo da casa uma lembrança.
Aqui jaz um pedaço de mim inteira.
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