sábado, 13 de dezembro de 2014

16:09h (ou como escrever as horas)

Uma ânsia insaciável aqui dentro
Perambula do umbigo
À boca quase fechada .
Não clama
Não dorme
Não cessa
Uma quase dor(mencia),
Um vai e vem distraído
Pelo efeito badalado
De teu relógio de mão,
Que sem forças para suportar as paredes
Fez-se a menor das joias,
Uma moeda em seu tato
E aos cuidados de teus dedos
Fez-nos aproximar,
Tiquetaqueando do cheiro ao ar
Minhas coloridas borboletas seguem,
Do lado de dentro,
Aos ponteiros de onde tu estás .
Que não demore nosso entardecer;
Que minhas asas voem longe;
Que, depressa, essa agonia se torne pó.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Cata-vento

Das minhas mãos vejo brotar a flor do desejo
A vontade de desenhar o amor
Com as mais belas cores
A lápis de cor
E deixa-lo ser
Escapar entre os dedos
E forte
Não ir

De um lado para o outro
Construímos moinhos
Eis nosso equilíbrio
Diante do lema
Confiar e manter-se alerta
Ser e seguir
À direção do vento
Somos mós
E leveza.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Há Brisa (ou não deixe a peteca cair)

Se me parece escondido,
Perdido ou quase sem cor
Eu digo:
Não me falta gratidão,
Mas, deixo claro,
Não me contento com pouco.
Sempre me ensinaram
Que o céu é o limite
E se tudo me leva ao mar
Tenho barco, espero o vento
Ele sempre sabe o que soprar.

É essa fé no vento
Que levanta qualquer poeira;
Esse amor trazido a brisa
Que finda num sorriso
As quatro da manhã,
Num abraço que me faltava
E o assobio que eu bem queria ouvir.

Há lágrimas,
Há saudade,
Há ventania,
Há sorriso,
Há brisa,
Há nós.

Bem que me disseram outrora,
Só mesmo o amor pra nos salvar.

domingo, 23 de novembro de 2014

Son(h)o de Morfeu

Quem lhe ordenou que me acordasse a essa hora,
Não me permitisse um son(h)o,
Na angústia de ouvir palavras vãs?
O fato é que eu não preciso de resposta alguma.
A angústia me prende
E por pouco eu não esqueci a dança.
Eu não preciso de resposta,
Simplesmente porque as crio.
Ouvi um sábio dizer que memória e imaginação são vias de um só caminho, 
Por isso se tendo a esquecer
Invento 
Nossos caminhos tortos, 
Aqueles diálogos ininteligíveis
E de todos os males
Espero o pior.
Mas no fundo quero ver o céu azul
Enquanto minha busca é por finais felizes,
Desejos acordados,
Sede saciada,
Tuas palavras,
Teu amor...
Acordada ainda sonho,
Mas não consigo dormir
A tua espera(nça).

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Fio do sentidos

Tem um pedaço de mim preso no ar
Não existe arranha céu, escadas rolante
Nem pedras que possam ser arremessadas
Tampouco corta fios que enxerguem a linha tênue
Entre meu ultimo fio de cabelo e o meu desejo de voar

Dos cinco sentidos
Me trazem seis
Eu me desdobro, viro brisa,
Deito e rolo, não permito o fim

Um sentir volante, eis aqui
Movido a sonho e cor
 I N F I N I T O
Sem sentido
Manchados de espinhos
Dedos
Sangue
Dor

Enquanto a cabeça gira
Rodopio por todos os lados
Se dói me faço suportar
E lá de cima a lua
Um convite
Vermelho
É pra lá que eu vou
Pinte e desate-me!



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Movência

E eu que não sei
E quase não sou nada
Senti que ser
É não padecer
De sentimentos vãos;
Ser
O que quer que seja
Está além de julgamentos,
Do disse me disse
E desejos não mais inofensivos.
E quando entendi que ser
É também movimento,
Do inverno ao verão
Sou outono,
Primavera,
Sou rio,
Poema;
Não mais a mesma água,
Inócuo,
Sou o que eu quiser...
Ser.

domingo, 5 de outubro de 2014

De pés no chão

A falta de gestos sóbrios desvirtua o sorriso da face
Chegar longe não significa a vitória em gloria
O pouco esforço poderá até leva-lo a algum lugar
Mas se teus pés nem sequer tem uma rachadura
Como saborear o calor avermelhado da terra?
Quem dera pudéssemos voar...
Por hora prefiro pés descalços.