domingo, 20 de janeiro de 2013

Chuva corre, lembranças veem

Ouvindo o lamento naquela canção 
Por falta de chuva
Saudade bate no peito,
Parece não querer parar.
Agora sinto algo germinar
Inelutável, nos meus olhos
Daquela chuva que ontem não caiu
Por alguém me segurar.
Mas que hoje, sozinha 
Meu rosto insiste em molhar.
Lembro-me dos dias verdes 
Que me embalava no colo,
Do azul do céu 
Que me ensinou a contemplar,
Do sol que queimava 
Assim como nossos sonhos,
Da vontade de voar alto, 
Além de um avião 
E navio em alto mar.

Enquanto a chuva corre
Essas lembranças veem...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dores minhas, cores do céu

Acordo na madrugada
E cada pingo de chuva
No telhado faz doer.
O dia começa nublado
O coração quase fechado
Parece agora diminuir.
Quando quer bater
Sinto que apanho
E a cabeça girando
Não quer mais parar.
Os olhos veem
O que não quero mais ouvir,
A ausência de sol
Escurece minha vista.
Não quero enxergar
O barulho do silêncio
Mas me contento ao lembrar
Tudo isso é efêmero
Dias assim precedem arco-íris
E é essa energia/leveza
Que me faz levantar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Imbróglio

Não quero mais ser eu mesma
Às vezes queria ser como você
Certos erros parecem não ter perdão
Por mais que se diga “deixa pra lá”
Sempre tem algo que nos faz lembrar.
Não quero que seja sempre assim
Às vezes não vejo sentido algum
Fico querendo mostrar o melhor de mim
Mas quando olho o reflexo no espelho
Vejo algo que não faz bem aos olhos.
Não quero esse sentimento ruim por perto
Às vezes não sinto ter por inteiro
E, ao mesmo tempo, também não entrego.
Aquela maquiagem quase não deixa enxergar
Aquele sorriso parece  agora camuflar 
Olhando de longe parece felicidade plena
Hoje faz parecer um tanto efêmera.
Não quero ouvir a mesma música
Às vezes penso ser muita repetição
Uma só palavra já me basta
Mas logo vem o silêncio
Se não repete, não tem canção
E eu fico procurando o botão on/off
Mais fácil seria se dependesse do querer
Não quero ter o controle, pensando bem
Às vezes eu só queria (não) ser...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eu acredito!

Acredito em quem espera mudança
Em quem tem esperança.
Que seja hoje
Que seja amanhã
Que seja agora
Ultimo dia do ano,
Época de promessas e desejos,
Pessoas cheias de vontade,
Vontade de sorrir...
Alguém argumenta tudo ser falso,
Pode até ser convincente,
Mas eu não sei dos outros,
Às vezes nem sei de mim.
Término e início de mais um ciclo
Olhos voltados para o céu
Que no artifício de tanto brilho
Faz-se refletir sobre si mesmo
Energia positiva
Sentimentos bons
Que seja hoje
Que seja amanhã
Que seja agora
Que seja uma hora
Eu acredito!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Versos Acordados

O acordo era dormir até mais tarde ou até o sol raiar
Tem horas que nem sei quem sou
Queria ter tempo de sentir depois de dores mais cor
Escrevo apenas sobre as mazelas do amor
Há quem julgue ser doce, leve, uma flor
Outros afirmam ser comum e um tanto infantil
Confesso, não estou aqui para agradar a mil
Mas faço sempre o uso desse mesmo fio
Para acompanhar a solidão que um dia se fez silêncio.
Acordei cedo e, sobre o (des)acordo, agora penso:
Minhas noites nunca precisaram de tanto lenço
Noites de lua cheia com brilho intenso
Ofuscam meus olhos que insistem em penar.
Sou diferente dessa gente que finge ser o que não sente
Mas me assemelho logo ali na frente
Quando saio dos meus sonhos e desaprendo a voar.
Na madrugada agora entendo, não somos donos do querer
Queria ser um bem-te-vi que canta dando vida lá no alto
Grito que dá asas ao coração e ameniza o que é triste fato.
Mas meu único alívio, agora, é o sono se aproximando
Daqui a poucas horas vou levantando
Lembrando-me dos versos acordados
Que me dão ar e escrevo de vez em quando.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Tic-tac

Enquanto uma folha se recusa a cair
A serpente do medo cresce, rodeia...
E a criança quer apenas sorrir e brincar...
Mal sabe ela que o tic-tac não pode parar.
Fechando os olhos pode-se sentir
Horas correm, horas engatinham...
Nada mais que sonho, mera impressão.
Mesmo não dando corda, relógio quebrado...
O tempo e seus caprichos não silenciam
Às vezes gritam, ensurdecem a alma
Às vezes cantam no mesmo tom.
Não se pode correr contra o tempo
O fácil também pode ser perigoso
Mas aquela criança ainda pode sorrir
Todo dia é dia de espetáculo
Há sempre um sol brilhando em algum lugar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nada Não


“Nada não” é tudo o que eu posso dizer diante do que sinto, diante do que faço e diante do que eu não sei... Não sei explicar. Meus sentimentos se misturam e confundem minha cabeça, meus pensamentos se encaracolam bem mais que os meus próprios cachos.
De repente sinto o coração bater forte, um arrepio que vai da ponta do dedo ao ultimo fio de cabelo. Olhar pra cima já não me faz tão bem, a angustia invade meu peito. Não tenho mais aquela companhia que me ensinou a contemplar o céu, está tão longe quanto as estrelas e eu tão solitária quanto a lua, mesmo cercada de pessoas.
Alguém bem próximo a mim diz também sentir falta, mas não como eu porque eu nada tenho a dizer, nada consigo fazer. Mas, uma coisa é certa, EU SINTO. Ninguém me entende, ninguém entende meu silêncio. “Nada não” é o máximo que eu posso dizer agora, enquanto procuro papel e lápis para eu mesma conseguir me entender.
A verdade é que mulher é um bicho esquisito e querendo ser menina me atrevo a ser mais ainda, ser aquilo que nem sei que sou. Choro, grito, brigo, esperneio, faço isso durante o ano inteiro, entre 3 e 6 dias no mês e ainda tenho que aguentar a dor, sentimentos a flor da pele... Nessas horas me revolto e preferia de verdade era fazer xixi em pé, caminhar pela cidade, respirar fundo até mais tarde sem me preocupar com o que vou sentir no mês seguinte.
Mas logo paro e penso melhor, é essa tal sensibilidade que nos torna diferente, que me faz ver o mundo com um olhar mais doce. Sensível e sonhadora sou, mas agora alguém torna a perguntar: “o que está se passando nesse teu mundinho?”, reconhecendo minha confusão com as palavras e sabendo que são raros os que me compreendem, respondo apenas “nada não”.