domingo, 6 de abril de 2014

Conversas em céu (d)e si

A ausência de cor
Faz perder a graça
Escurece toda luz
Traz a tona o silêncio
Amedronta meu sentir
Que já não faz muito sentido

O que era repleto de importância
Hoje não interessa se é um ou dois
Ir perto do céu ou abaixo do chão
Agora é quase não sair do lugar

O quase, o nada, o tudo
Surgem aos poucos
Paralelos ao meu querer
Desfazem som daquele ritmo

Tempo, só lhe faço um pedido
Por favor, não apague suas cores
Elas me dão asas pra valsar (d)aqui.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Rabiscos

Livros, anotações e uma página em branco... Tanta informação, tanto a ser dito, mas antes preciso parar e pensar em todo sentimento que há em mim.

Eu poderia dizer “foco, menina”, mas o rio da saudade me convida a um passeio debaixo de chuva e, no fundo, eu sei que é ele quem vai me deixar de pé.

Eu poderia ter medo e continuar sob o cobertor, mas não, eu não poderia... Eu vou de pés descalços, na água ou no chão, pulando, nadando, até que uma nuvem com seu abraço aconchegante me permita ver o sol.

Eu poderia parar no meio do caminho e dizer que tudo está bem, mas não está. Me falta o ar, me faltam flores... Só me resta a fé.

Quando creio ser pouco ou quase nada o que há em mim transborda sem querer parar. Sou cheia de amores e sonhos coloridos que se multiplicam a cada tom e novo arco-íris que se apresenta após um vendaval.

E depois de olhar o espelho volto ao papel em branco que, agora rabiscado, me encoraja a seguir. Um livro, um girassol, um amor... Tenho tudo pra ir além.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

(des)Equilíbrio

E por um leve
E arrebatador beijo
O que parecia certo,
De repente, cai.

Sentimentos a flor da pele,
Quando não mais ocultos
O tudo ou nada
Revela-se igual.

Dos encantos, canção de amigo.
Da justiça, deixa se entregar.
Da harmonia, sábia indecisão.

O xis da questão interroga,
A sina acerta em cheio:
Em silêncio, o peso se desfaz,
Era a balança... um sonho.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Independência ou morte

Nesse quarto fechado
Não tem pra onde ir
A vontade de voar é imensa
Não posso ir além de três passos no chão.

Uma fresta se apresenta
Mas é árduo decidir
Quando não se tem chave
O coração perde as asas
Tem medo de qualquer queda.

Sair ou ficar?
Luz ou escuridão?
Tornar visível,
Caminho intransitável,
Um arrependimento...

Independência ou morte?
Eis a questão!

(Paloma Israely & Ermeson Nathan)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Resposta errada

Quando espero um “não”
O vento me traz um “sim”.
Se quero que aceite
Me olha com rejeição.

Se almejo uma voz
Ouço apenas silêncio
E do contrario
Um grito se faz.

Tua certeza me confunde,
Tua dúvida não me convém.
Eu quero sempre mais
Do tudo que ainda tenho

Desejo uma resposta,
Mas qual a pergunta?
E a angústia volta ao início.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eu, balão!



Um vaso
Cheio
De ar...
De tão
Leve
Voou.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Distancia

Um perigoso caminho,
Pouco mais de um metro e meio,
Traçado delicadamente a lápis de cor,

Repleto de verde perfumado
Confia os olhos aos céus.
Flores nobres desabrocham,
Seguem atentas o percurso do sol.

A primavera aproxima o outono:
Folhas amarelam, secam, caem
E dos grande sorrisos
Só uma gota restou.

A distancia pode não ser tamanha
Mas curvas desfazem estações,
Num leve piscar de olhos
O que era flor murchou.